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Paróquia Nossa Senhora do Rosário da Pompéia - (54) 3385-1270
Email: matrizrosariopompeia@gmail.com
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
PARÓQUIA N. SRA. DO ROSÁRIO DA POMPEIA SE PREPARA PARA A COMEMORAÇÃO DAS BODAS DE GIRASSOL (85 ANOS)

      Com a chegada da aurora, a escuridão da noite se afasta, o brilho das estrelas vai se apagando e a rainha da noite dá lugar ao astro-rei. O sol nasce e a claridade aos poucos vai invadindo o universo e a vida reinicia com energia e alegria renovadas. Os pássaros despertam cantando e, com seu canto, alegram e dão vida para a natureza. As pessoas acordam e a vida dá movimento à vida.
       O dia chega ao fim e a claridade do astro-rei, após ter cumprido sua missão, gentilmente dá lugar à tênue claridade da lua e das estrelas, a rainha e as bailarinas da noite, respectivamente. E assim a natureza se comporta de forma perfeita.
       Além do aspecto físico, o ser humano tem o lado espiritual que também avança, que também tem sua trajetória acompanhada de valores humanos, sociais, morais e religiosos que sofrem alterações com a práxis das relações humanas, o avançar da ciência, da tecnologia, da teologia e da própria filosofia. 
         E assim foi e é. No início havia quase nada, apenas a natureza. Depois foram acontecendo avanços tecnológicos e biotecnológicos e o ser humano foi conquistando e desbravando o espaço, dominando e transformando elementos da natureza.

FUNÇÃO SOCIAL DO SINO
         E o homem também inventou e produziu o sino, além de muitos outros instrumentos e elementos musicais para registrar sua cultura, proporcionar momentos de prazer e entretenimento, alimentar sentimentos e, com os sinos como suporte, também prestar o seu louvor ao Criador.
         Como a rapidez dos meios de comunicação ainda não era tão ágil quanto na atualidade, ao lado das capelas ou das igrejas que eram construídas, os colonizadores ergueram campanários para que as pessoas pudessem ser informadas a respeito dos fatos de sua comunidade através do sino. E aí, como o ser humano é inteligente e criativo, estabeleceu uma linguagem própria para o badalar dos sinos: de acordo com a melodia produzida podia-se saber/concluir o fato que estava sendo comunicado através do toque.
         Com a vinda dos imigrantes, que trouxeram consigo um forte espírito de fé para poder suportar as agruras e as dificuldades, as igrejas eram as primeiras edificações erguidas na e pela comunidade. Porém, nem todos os moradores residiam tão próximos à igreja/capela. Havia necessidade de convidá-los ou comunicar a todos de uma só vez que estava na hora de se reunir para o culto.
         Durante muito tempo as badaladas dos sinos eram o mais importante meio de comunicação aos moradores de aldeias, povoados, vilas e cidades. Era pelo som produzido pelo badalo que batia no metal que o povo sabia as notícias. Aos poucos, devido à rapidez e ao avanço da tecnologia da comunicação e informação, os sinos passaram a noticiar apenas fatos relativos à Igreja Católica.
         Durante algum tempo o sino foi um instrumento que exerceu um papel importante como veículo de comunicação à comunidade. Conforme o badalar, o povo recebia a informação de mortes, (batidas diferentes para criança e adulto; batidas diferentes para ricos e pobres e mulheres) de festas, de visitas ilustres, de casamentos, de incêndios e transmitia também a alegria por um fato que era esperado. Em Tapera, o final da segunda Guerra Mundial foi comemorado, durante a festa de 8 de maio de 1945, com o repicar dos sinos da Matriz e foguetes.
         Além de convidar os fiéis para o culto religioso e anunciar todas as cerimônias da igreja, os sinos, com seus solenes e majestosos sons, também eram ligados a contos e lendas. Esses sons que percorriam vales, montanhas e ecoavam pela natureza influíram no espírito das populações. Há registros de crenças medievais que a maravilhosa sonoridade dos sinos punham em fuga os demônios. Era muito natural pendurar miniaturas de sinos no pescoço das crianças. Ao se aproximar uma tempestade, os sinos eram tocados para acalmar a violência do temporal através do poder misterioso da música produzida pelo sino. 
          Ainda hoje há templos com carrilhões com um número bastante variado de sinos. Porém, de acordo com o peso do sino é a nota musical produzida, oferecendo uma gostosa melodia quando tocados em conjunto.
          Quando da colonização, o sino foi referência nas cercanias das capelas e igrejas por muito tempo: ao amanhecer, ao meio-dia quando indicava a pausa para a reposição das energias e para o descanso e, às dezoito horas, quando todos paravam, em qualquer lugar onde estivessem, ao ouvir o toque do Ângelus, para rezar a oração da Ave Maria, indicando que o final do dia também estava se aproximando.
     E o som do sino ecoava pelas matas, pelas colinas, pelos vales com sua melodia e percorria caminhos até atingir os corações. Até os pássaros, com o toque do Ângelus, iniciavam o retorno para os seus ninhos. A natureza e o homem iniciavam as atividades de recolhimento para o descanso quando a noite estava a cair.

A HISTÓRIA DA COMUNIDADE CATÓLICA, DOS SINOS E DO RELÓGIO
       
     Em 1897 iniciou-se efetivamente a ocupação da área que hoje compreende o município de Tapera. Aqui, Coronel Gervásio, foi um dos centros geográficos da Colônia Alto Jacuhy. Somente cinco anos mais tarde, 1902, a abundância de madeira aqui existente forneceu o material para a construção de uma pequena capela, nas proximidades onde hoje se localiza a Sicredi Integração Rota das Terras. Nessa época, Tapera pertencia à Diocese de Porto Alegre, única no Rio Grande do Sul.
     A região passou a pertencer à Diocese de Santa Maria que foi criada em 15 de agosto de 1910.
     Em 1914 o curato do Alto Jacuhy era desmembrado da Paróquia de Passo Fundo. Em 1919 o curato Alto Jacuhy passa a ser paróquia com sede em Não-Me-Toque. Tapera passou a pertencer a esse curato.
     A Portaria de D. Antônio Reis, Bispo de Santa Maria, cria a paróquia de Nossa Senhora de Pompeia de Tapera no território do Alto Jacuhy, observando os limites geográficos do 3º Distrito de Carazinho, em 01 de novembro de 1932.
     Em 12 de fevereiro de 1939 é lançada a pedra fundamental da Nova Igreja Matriz quando foram padrinhos: Augusto Koehler e Wilma Rosália Erpen. A nova Igreja, um ano após ter iniciada a sua construção, foi consagrada em 05 de fevereiro de 1940 por D. Antônio Reis.
     Em 1951 foi criada a Diocese de Passo Fundo à qual a Paróquia de Tapera passou a pertencer e foi escolhida para ter um Seminário.
      Quando o templo ainda era de madeira, nele havia apenas pequeno um sino a chamar os fiéis para as atividades religiosas e para lembrar o Criador e anunciar o amanhecer; para alertar a todos até à distância que se podia ouvir, que era momento para uma pausa e para reabastecer as energias: era o momento do almoço e, ao fim da tarde, para convidar a todos para a oração do final do dia e que era o momento para encerrar suas atividades e se recolher para o descanso. Com a construção da nova Matriz, três sinos foram erguidos a 45 metros de altura nas torres. Um pesava 250 kg, outro, 350 kg e o maior 400 kg. Os dois últimos foram retirados em 2006 porque estavam rachados e foram substituídos.
      Quando só o sino pequeno tocava badaladas compassadas e espaçosas, anunciava a morte de criança; quando tocava o sino médio, anunciava que uma pessoa jovem tinha morrido e, para anunciar a morte de uma mulher, havia toque especial; quando tocava o sino maior, todos sabiam que uma pessoa de idade havia morrido.
      Os sinos não anunciavam apenas fatos tristes. Eles também faziam convites. O convite era feito da seguinte forma: inicialmente tocava o sino menor, dando o primeiro sinal, uma hora antes de iniciar a atividade religiosa. Na sequência, meia hora depois, tocava o sino médio e quando os três sinos tocavam juntos eles estavam fazendo o último convite para a missa, anunciando que a celebração estava iniciando.
      Em 16 de setembro de 1957 falece o senhor Albino Galvagni que foi “campanaro” da matriz por quase trinta anos. “Ele foi sempre pontual e responsável. Às 6, às 12 e às 18 horas com pontualidade, Albino tocava os sinos. Ele tinha uma prática especial no manuseio das cordas quando os sinos ainda eram acionados de forma manual. Essa atividade era feita por ele todos os dias, com exceção de sexta-feira santa e sábado de aleluia”.
      A automatização dos sinos da Igreja Matriz N. Sra. do Rosário da Pompeia aconteceu no ano de 1978, quando no dia 31 de dezembro eles anunciaram a chegado do novo ano. Há informação que houve uma tentativa de implantar um sistema elétrico por uma empresa de São Paulo, com disjuntor ligado na sacristia que acionava os sinos quando o Pe. Geraldo Collet era pároco, porém, não deu certo.
       Os primeiros sinos da nova Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário da Pompeia foram substituídos tendo em vista que os mesmos sofreram rachaduras. Os sinos novos, erguidos às 9h30min do dia primeiro de dezembro de 2006, foram produzidos pela mesma fábrica de São Paulo que produziu o primeiro sino instalado na pequena capela.
      Dialmino Rosalino Salvadori, que por muito tempo cuidou dos relógios e dos sinos, conta que os eixos/mancais sobre os quais os sinos estão presos e giram são de ferro e se sustentam sobre um suporte reforçado de madeira de pinho. Esses mancais precisam ser lubrificados a cada pouco tempo para evitar um desgaste maior. A cada três meses ele subia a torre e realizava a lubrificação dos mancais, das engrenagens e dos ponteiros dos relógios.
     Quando Dialmino fala sobre a altura das torres da Igreja Matriz de Tapera, ele lembra que o engenheiro da obra é o mesmo que projetou a Catedral de Santa Cruz do Sul/RS. “O material de construção era içado para o alto das torres através de uma espia de aço em uma torre especialmente erguida em frente à construção unicamente para esse fim. No alto dessa torre havia uma roldana na qual a espia de aço corria. Em uma ponta da espia, os recipientes para o material. A outra ponta estava presa aos aperos da mula Boneca. Como a energia elétrica ainda era escassa em Tapera, foi utilizada a tração animal para içar o material para o alto das torres. Marcheto Gava emprestou a mula “Boneca” que, ao receber a ordem, fazia o trajeto até as proximidades da hoje Av. XV de Novembro e lá aguardava o comando para retornar para realizar novo percurso enquanto lá em cima os operários recebiam o material e devolviam as vasilhas para baixo para serem içadas novamente carregadas”.
       Com duas torres altas, com três sinos, os relógios, doados por Oreste Mânica, foram inaugurados e abençoados em 08 de maio de 1950. Ele foi incumbido de acionar o pêndulo após a cerimônia da bênção litúrgica. Foram os padrinhos: Dionísio Lothário Chassot, o menino Danilo Mânica, filho de Oreste, e madrinhas, Amália Koehler e Wilma Rosália Erpen. A cerimônia da bênção foi transmitida pelo serviço de alto falantes da Igreja. Na oportunidade estiveram presentes os padres José Bevilacqua e Cândido Lorini, respectivamente vigários-colaboradores de Espumoso e Carazinho. Naquele ano, Oreste Mânica e Linda Cerutti foram os festeiros.
       Oreste Mânica era um madeireiro que sempre apostava na loteria com a promessa de doar os relógios para a Igreja Matriz, se contemplado com prêmio. E ele foi contemplado com o maior prêmio de uma das extrações.
       No ano de 1960, em 20 de setembro, foi iniciado o trabalho de reforma da Igreja Matriz da parte externa de alvenaria.
       Em 31 de maio de 1989 os vitrais da Igreja foram restaurados. O custo desse serviço foi pago por Bruno Orth e família.
        Os relógios da Igreja Matriz foram fabricados em Estrela/RS por uma joalheria cujo proprietário veio da Alemanha. Os relógios da Igreja Matriz passaram por uma reforma no ano de 1989. A despesa desse trabalho teve a doação de Claudete Theis. Os relógios hoje têm funcionamento mecânico: é através de um timer que, às oito horas e às vinte horas, dá corda aos relógios durante dez minutos automaticamente. Dialmino lembra, e também muitas vezes presenciou, que a mãe do Padre Tenário Seibel, com idade já avançada, ficava durante vinte minutos, duas vezes por dia, todos os dias, puxando as correntes para dar corda aos relógios. Vendo esse trabalho sendo feito por uma pessoa com idade avançada e dispensando um bom tempo diário nessa atividade, para encontrar e colocar em funcionamento um mecanismo mais fácil para tal atividade, Dialmino trocou ideia com Joanin Poletto para construir uma alternativa para automatizar a corda dos relógios. Depois de algum estudo, Joanin desenhou e produziu as engrenagens e a firma Mombelli doou os motores elétricos para a ativação automática da corda, dispensando assim a atividade manual.
         Joanin Poletto produziu um sistema de dar corda aos relógios através de um motor elétrico que era ligado por um disjuntor instalado na Casa Paroquial que precisava ser desligado após vinte minutos de funcionamento quando produzia corda para os relógios funcionarem durante as vinte e quatro horas.
         Segundo Dialmino, os relógios da Igreja Matriz foram automatizados entre 1955 a 1960. Em 2016 os relógios novamente sofreram uma reforma geral e foram colocados em funcionamento.
         O bater do tambor, o som da flauta, a suavidade e a profundidade do som de um órgão tocado em um templo, os acordes de um violino, o toque do sino abrem portas para a elevação da consciência e, corpo, mente e espírito se revigoram e se encontram mais perto do Criador através da magia desses sons celestiais.

Fontes de informação:

DIALMINO ROSALINO SALVADORI

FONSECA, Lydya Mombelli. Tapera

Tapera A CAMINHADA DE UM POVO

LIVROS TOMBO DA PARÓQUIA

ELIDE BERVIAN

            A Paróquia Nossa Senhora da Pompeia está se preparando para a comemoração de seus 85 anos de criação no ano de 2017. Para tanto, a Pastoral da Comunicação, diretoria e padre Oswaldo estão empenhados em contar um pouco da história da paróquia. É óbvio que pode haver lacunas. Por isso, solicita-se a quem tenha informações que ofereçam acréscimos ou esclarecimentos importantes aos relatos, tenha a gentileza de se dirigir aos integrantes da PASCOM e à secretaria para auxiliar nessa missão importante e gratificante.

 Pesquisa e texto: Alcides J. Arnhold – Jorn. O10588 - PASCOM

 









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